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O objetivo do projeto é superar as desigualdades no campo a partir de pesquisa, desenvolvimento, inovação (PD&I) em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) visando ampliar a produção e produtividade dos pequenos e médios produtores.

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3 de June de 2026

Embrapa and Fapesp launch digital agriculture project focused on small and medium-sized rural producers 17 T

The advancement in the use of digital technologies is cited as one of the determining factors for Brazilian agriculture to maintain its productive capacity in a sustainable way, from an economic, environmental, and social point of view. The participation of small and medium-sized rural producers in this transformation process in the field is fundamental; for this reason, Embrapa, linked to the Ministry of Agriculture and Livestock, and the São Paulo State Research Foundation (Fapesp) will officially inaugurate, on April 11th, the Center for Science for Development in Digital Agriculture (CCD-AD/SemeAr).

Aprovado no final de 2022 em edital da Fapesp para constituição de Centros virtuais orientados a problemas específicos e com impacto social e econômico, o projeto contará com investimento total de R$ 25 milhões ao longo dos próximos cinco anos. Sua missão será atuar na pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias emergentes visando à inclusão de pequenos e médios produtores rurais. Entre as ações previstas, está o estabelecimento de Distritos Agro Tecnológicos (DATs), em diferentes regiões do País, para a promoção de soluções de conectividade em áreas rurais e a inserção de tecnologias digitais em processos de produção agropecuária, envolvendo, por exemplo, aplicações em inteligência artificial e sensoriamento remoto, automação e agricultura de precisão, rastreabilidade e certificação.

A Embrapa Agricultura Digital, Unidade localizada em Campinas (SP), é a instituição sede do CCD-AD/SemeAr. O projeto tem ainda como instituições associadas o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Evento de lançamento

A cerimônia de lançamento do CCD-AD/SemeAr ocorrerá no auditório da Embrapa Agricultura Digital, no dia 11 de abril, às 10h. O evento terá a presença do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Prefeito de Campinas, Dário Saadi, do presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, e representando a presidência da Embrapa, o diretor executivo de Pesquisa e Inovação, Guy de Capdeville, entre outras autoridades.

O objetivo do projeto é avançar no conhecimento e gerar soluções que atendam às necessidades de pequenos e médios produtores rurais, de forma a contribuir para reduzir imperfeições de mercado e desigualdades na adoção de tecnologias digitais que sejam capazes de promover ganhos de produtividade e competitividade, redução de custos e aumento da eficiência da produção agrícola.

“A Fapesp está muito contente em lançar este novo Centro de Pesquisa em Agricultura Digital. Ele é um dos Centros criados pela Fundação no Programa Ciência para o Desenvolvimento. Neste caso, no âmbito de uma parceria maior com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com o Ministério das Comunicações e com o Comitê Gestor da Internet no Brasil. As tecnologias e as soluções propostas neste projeto têm uma importância crucial para o país. Nós temos a agricultura tropical mais competitiva em termos globais. Mas a conectividade na área rural é muito baixa e o uso de tecnologias digitais ainda deixa muito a desejar, em especial para pequenos e médios produtores. O desenvolvimento de soluções de comunicação e de aplicativos que sejam relevantes para os diversos tipos de cultivo e de criação podem aproximar estes produtores do mercado e viabilizar ferramentas capazes de aumentar a produtividade e a renda destes produtores”, afirma o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago.

Distritos Agro Tecnológicos

De acordo com o projeto, serão implantados ao todo dez Distritos Agro Tecnológicos (DATs), distribuídos no estado de São Paulo e em outras regiões, considerando a diversidade produtiva e de recursos naturais. Selecionados com base em indicadores socioeconômicos, a partir dos DATs serão identificados os gargalos de conectividade e mapeadas as soluções digitais demandadas pelos produtores rurais, bem como as instituições públicas ou privadas, empresas e startups capazes de suprir as necessidades naquele arranjo local. Funcionando como um piloto de fazenda inteligente, os DATs também permitirão investigar e validar tecnologias habilitadoras para o desenvolvimento de soluções digitais priorizadas para cada realidade.

A pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital Silvia Massruhá é a responsável pela coordenação do projeto. Ela explica que a inclusão de pequenos e médios produtores rurais no processo de transformação digital têm o potencial de promover ganhos em escala, qualidade e eficiência na produção, ampliando a competitividade de produtos e serviços agropecuários brasileiros. “Nessa perspectiva, o Brasil também apresenta grande potencial de ofertar soluções tecnológicas em agricultura tropical digital para outros países”, completa.

Pesquisa realizada em 2020 pela Embrapa, Sebrae e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que 84% dos agricultores brasileiros já utilizavam ao menos uma tecnologia digital como ferramenta de apoio na produção agrícola, sobretudo para facilitar a comunicação, o acesso à informação e a compra e venda de produtos. Além disso, 95% dos produtores afirmaram ter interesse em receber informações e apropriar-se de tecnologias digitais mais especializadas, como por exemplo soluções para planejamento e gestão da propriedade; para estimativas de produção; controle de pragas, doenças, falhas operacionais e déficit hídrico na lavoura; bem-estar animal e também para certificação e rastreabilidade de produtos agrícolas. Já os principais desafios apontados por eles na pesquisa estão relacionados a custos elevados de investimento, acesso restrito à internet e necessidade de capacitação.

Para Silvia Masshurá, a expectativa do projeto é, por meio dos DATs, promover a conexão com múltiplos atores das cadeias produtivas e possibilitar novos modelos de negócios de modo a dar escala às tecnologias e reduzir custos de transação. “O objetivo é estimular a integração de tecnologias digitais nos processos produtivos rurais de uma forma efetiva e simples, que atenda às necessidades reais dos produtores, gerando impactos socioeconômicos no curto e médio prazo, além de oferecer capacitação tecnológica e o compartilhamento de conhecimento e de práticas, visando acelerar a adoção de tecnologias digitais”, ressalta.

Conectividade

Entre os dez Distritos Agro Tecnológicos (DATs) previstos pelo CCD-AD, dois já foram implementados em projeto anterior, liderado pelo CPQD e Embrapa, dentro da iniciativa SemeAr, criada para estruturar a governança e a sustentação econômica deste modelo de operação para promoção da agricultura digital. Os primeiros pilotos, que servem como referência para o novo projeto, foram estabelecidos nos municípios paulistas de Caconde, região caracterizada pela presença de pequenos e médios cafeicultores, e de São Miguel Arcanjo, que tem a produção de uva como atividade de destaque.

A implantação destes DATs contemplou aspectos como conectividade, oferta de serviços e capacitação, e envolveu a participação de atores locais, como produtores rurais, cooperativas, associações, sindicatos, governos municipais, institutos de pesquisa, assistência técnica e extensão rural, empresas, prestadores de serviços e startups. O intuito, com eles, é validar um modelo viável, capaz de ser replicado em outras localidades do Brasil, gerando subsídios para políticas públicas e para outras iniciativas na temática da agricultura digital.

A baixa disponibilidade e qualidade dos serviços de conectividade nas áreas rurais é um dos principais desafios para a adoção de inovações em agricultura digital, especialmente para pequenos e médios produtores. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, realizada pelo pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), entre 2015 e 2020 houve um aumento de 36% nos usuários de Internet na área rural. Entretanto, o estudo “Cenários e Perspectivas da Conectividade para o Agro”, realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em 2021, mostra que o Brasil rural tem cobertura de internet de apenas 23%.

Assim, um dos eixos de atuação do CCD-AD será a promoção de ações em PD&I para elevar a conectividade nos DATs selecionados, em termos de infraestrutura e de dispositivos disponíveis comercialmente. “O projeto prevê a oferta de conectividade e a implantação de soluções digitais em regiões diferentes do País, com necessidades e desafios distintos. Assim, nos locais onde já existe infraestrutura de conectividade, a ideia é aproveitar o que está disponível. Mas a estratégia do projeto também prevê a escolha de locais que apresentam desafios de conectividade que irão demandar a pesquisa e o desenvolvimento de soluções inovadoras. E isso poderá ser feito utilizando as competências do CPQD e do nosso parceiro Inatel na área de tecnologias de conectividade”, explica Alberto Paradisi, diretor do CPQD e um dos vice-diretores do CCD-AD/SemeAr.

Paradisi observa que a diversidade de atores é um fator importante para o sucesso do projeto, como vem mostrando a experiência no DAT de São Miguel Arcanjo, que atraiu empresas e fornecedores de soluções e de serviços distintos – entre eles, um provedor local de internet, fornecedores de equipamentos e de link de satélite e várias startups. “É uma experiência muito interessante, que mostra a importância de atrair diversos atores”, afirma.

 

Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital

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